Não existe amor
Na cidade
Grande
De pedra
Cinzenta
Fria
Sem coração
Há apenas burburinhos
Ruídos sujos
Pressa nos passos
Transeuntes
E náuseas
Vertigens
Delírios
E outras tantas solidões
Há automotores
Nervosos
Impacientes
Frenéticos
Que cospem essa fumaça
Tóxica
Plástica
E seguem vagares
Vagantes
Suas procissões mecânicas
Errôneas, errantes
Há também policias
Que rondam
E nos vigiam
Com olhos e ouvidos
Que tudo desconfiam
Põe em suspeição
Qualquer um
Sim ou não
E nos assaltos
Sobressaltos
Vem em vão
A grana engana
Engrena a violência
Morreu a razão
E há também os mendigos
Aqueles que são pais
São talvez filhos
Numa ou noutra rua
Na dureza, calçada
Marquises, marcadas
Suas vidas lhe escapam
Por entre os dedos
Entorpecidas
Embriagadas
Uma vez amaldiçoadas
Soam sinos, toadas
Nos goles, cachaças...
De fato
De jeito
Não existe mesmo
Amor
Na cidade
Grande e vazia
Que sem grandeza nenhuma
Cabe na mente
Cabe na mão
Mas não sabe
Qual caminho
Leva
E chega
Até o coração.
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