A VERDADE SOBRE O 1º DE ABRIL
A VERDADE SOBRE O 1º DE ABRIL
O Golpe de Estado de 1964 teve nas Forças Armadas o seu vetor, sua ponta-de-lança, mas não se compôs de um ato único, exclusivo e absoluto dos militares. Instigação estrangeira, estadunidense, dentro do quadro da Guerra Fria e do triunfo da Revolução Cubana, acompanhado de informação, financiamento, infra-estrutura e apoio logístico-diplomático convergiram com o movimento e articulação das classes dominantes e suas frações mais reacionárias
lotadas nos partidos de Direita e nos órgãos de imprensa, apoio da Igreja conservadora e das camadas médias urbanas desafeitas à Democracia e ao protagonismo popular expresso por operários, camponeses, estudantes, mulheres e outros segmentos sociais progressistas.
É preciso pôr termos reais e concretos ao fato histórico e aos seus desdobres políticos, sociais, econômicos. Tratou-se de um golpe de força contra a institucionalidade existente, de uma ruptura violenta e arbitrária das garantias e premissas constitucionais, estabelecendo um regime jurídico e político excepcional, chefiado pelo poder das armas, da repressão aberta e da perseguição implacável e assassina dos opositores políticos.
Serviu o golpe para estabelecer uma longeva ditadura, 21 anos, superior em duração à primeira experiência minimamente democrática e formal vivida pelos brasileiros (1945-1964). Deitou raízes profundas na vida nacional e, a par de seu fracasso econômico e de sua violência política, criou uma mitificação histórica poderosa, a ponto de ser considerada pelo senso comum como um evento benigno, “tempo de fartura, segurança e estabilidade” (nada mais falso e anticientífico!).
Em suma, o 1º de Abril (data nada aleatória) precisa ser exposto pelas milhares (milhões?) de consciências que constituem uma espécie de “Comissão da Verdade” popular para que, em conjunto e sob ordem unida, refutem categoricamente o pior momento da vida republicana brasileira, vida esta tão pouco sustentada pelos princípios modernos e avançados da liberdade humana.
Num país submetido a mais de três séculos de colonização de exploração, quase quatrocentos anos de escravidão, perpetuação das desigualdades sociais, do racismo e da concentração de propriedade e riquezas, o Golpe de Estado realizado pela aliança espúria, reacionária e elitista de militares e civis precisa receber ampla e farta repulsa e denúncia.
As práticas de caça, tortura e assassínio, tipificados como crimes contra a humanidade pelo Direito Internacional, são as facetas repugnantes e covardes do Estado de Exceção que se instalou, mas não menos graves e deletérias foram as ações no campo econômico, multiplicando a dívida externa em 25 vezes, legando a hiperinflação e arrochando os salários ao patamar da miserabilidade.
Herdamos uma maldição do período ditatorial que contaminou e turvou as noções civilizatórias mais generosas, socializantes, estimadas pelas organizações populares. A leviandade histórica do ocupante eleito para o mais alto cargo da República merece uma resposta à altura: Ditadura Nunca Mais!
Afirmar a luta do povo, a busca por um sistema político, econômico e social verdadeiramente democrático e a soberania nacional nesses tempos bicudos, obscurantistas e fanatizados é dever e direito de todo cidadão e cidadã.
Que a triste e traumática experiência histórica, bem como seus lances de resistência e heroísmo, apontem o caminho da amplitude abrangente e acolhedora e da radicalidade honesta e transformadora como o sentido e objetivo dos patriotas verdadeiros e dos democratas sinceros.
Alex Saratt
O Golpe de Estado de 1964 teve nas Forças Armadas o seu vetor, sua ponta-de-lança, mas não se compôs de um ato único, exclusivo e absoluto dos militares. Instigação estrangeira, estadunidense, dentro do quadro da Guerra Fria e do triunfo da Revolução Cubana, acompanhado de informação, financiamento, infra-estrutura e apoio logístico-diplomático convergiram com o movimento e articulação das classes dominantes e suas frações mais reacionárias
lotadas nos partidos de Direita e nos órgãos de imprensa, apoio da Igreja conservadora e das camadas médias urbanas desafeitas à Democracia e ao protagonismo popular expresso por operários, camponeses, estudantes, mulheres e outros segmentos sociais progressistas.
É preciso pôr termos reais e concretos ao fato histórico e aos seus desdobres políticos, sociais, econômicos. Tratou-se de um golpe de força contra a institucionalidade existente, de uma ruptura violenta e arbitrária das garantias e premissas constitucionais, estabelecendo um regime jurídico e político excepcional, chefiado pelo poder das armas, da repressão aberta e da perseguição implacável e assassina dos opositores políticos.
Serviu o golpe para estabelecer uma longeva ditadura, 21 anos, superior em duração à primeira experiência minimamente democrática e formal vivida pelos brasileiros (1945-1964). Deitou raízes profundas na vida nacional e, a par de seu fracasso econômico e de sua violência política, criou uma mitificação histórica poderosa, a ponto de ser considerada pelo senso comum como um evento benigno, “tempo de fartura, segurança e estabilidade” (nada mais falso e anticientífico!).
Em suma, o 1º de Abril (data nada aleatória) precisa ser exposto pelas milhares (milhões?) de consciências que constituem uma espécie de “Comissão da Verdade” popular para que, em conjunto e sob ordem unida, refutem categoricamente o pior momento da vida republicana brasileira, vida esta tão pouco sustentada pelos princípios modernos e avançados da liberdade humana.
Num país submetido a mais de três séculos de colonização de exploração, quase quatrocentos anos de escravidão, perpetuação das desigualdades sociais, do racismo e da concentração de propriedade e riquezas, o Golpe de Estado realizado pela aliança espúria, reacionária e elitista de militares e civis precisa receber ampla e farta repulsa e denúncia.
As práticas de caça, tortura e assassínio, tipificados como crimes contra a humanidade pelo Direito Internacional, são as facetas repugnantes e covardes do Estado de Exceção que se instalou, mas não menos graves e deletérias foram as ações no campo econômico, multiplicando a dívida externa em 25 vezes, legando a hiperinflação e arrochando os salários ao patamar da miserabilidade.
Herdamos uma maldição do período ditatorial que contaminou e turvou as noções civilizatórias mais generosas, socializantes, estimadas pelas organizações populares. A leviandade histórica do ocupante eleito para o mais alto cargo da República merece uma resposta à altura: Ditadura Nunca Mais!
Afirmar a luta do povo, a busca por um sistema político, econômico e social verdadeiramente democrático e a soberania nacional nesses tempos bicudos, obscurantistas e fanatizados é dever e direito de todo cidadão e cidadã.
Que a triste e traumática experiência histórica, bem como seus lances de resistência e heroísmo, apontem o caminho da amplitude abrangente e acolhedora e da radicalidade honesta e transformadora como o sentido e objetivo dos patriotas verdadeiros e dos democratas sinceros.
Alex Saratt
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