SOBRE A GREVE XX
O CONTRACHEQUE DE LEITE
Polvorosa entre os trabalhadores em educação que estão em greve. O contracheque no Portal do Servidor veio com descontos dos dias parados. Muitos dependem da publicação do documento funcional para poderem realizar a humilhante compra do próprio salário. O Governo Leite, despe-se de qualquer fantasia ou disfarce, mostra seu caráter autoritário, persecutório e repressivo, desobedece entendimento judicial sobre o Direito de Greve e nega-se a negociar o ponto, a recuperação das aulas, o encerramento do ano letivo e o conteúdo dos projetos da Reforma.
Quer, pelo estrangulamento financeiro ilegal e imoral, extinguir o movimento que lhe faz oposição ao seu programa que representa a destruição dos direitos dos servidores e da população. Não há dúvidas que Leite é o principal responsável por essa situação trágica, mas os partidos e parlamentares que lhe dão guarida e sustento e o Judiciário que é omisso, moroso e parcial tem também culpa no cartório.
A ousadia cruel do Governador só acontece porque os poderes e instituições formaram uma espécie de aliança conservadora e retrógrada comprometida em levar adiante a agenda neoliberal privatista, de Estado Mínimo para o povo, precária nas relações de trabalho, com forte arrocho salarial, preocupada em fazer caixa para alimentar o sistema financeiro, alheia a qualquer projeto de desenvolvimento e abertamente favorável a manutenção de privilégios e regalias aos altos escalões da burocracia estatal e aos ”amigos do rei”.
A Greve ganha novos contornos com a decisão governamental e as ações temporariamente suspensas deverão ser retomadas com máxima urgência e intensidade, seja no campo político e organizativo, seja no terreno judicial. A disponibilização dos contracheques é ato arbitrário e desumano e sua negação implicará em dado concreto para que se intervenha no Governo Estadual e se comprove o dano moral nas milhares de ações impetradas na Justiça. Ademais, infringe convenções da OIT e se caracteriza como violação dos Direitos Humanos.
É mais do que compreensível a reação desesperada daqueles cujos proventos estão à mercê da vontade dos donos do poder, afinal suas vidas dependem da rala remuneração. Porém, afora a inviabilidade do empréstimo bancário, a verdade é que não receberemos nada antes do fim da primeira quinzena de janeiro, nem temos nenhuma garantia de salário sem negociar um acordo de greve entre as partes.
A palavra de ordem deve ser: Sem salário, sem recuperação das aulas! Leite, pague o que deve e negocie! A sociedade gaúcha – que reprova sua gestão, se opõe ao pacote e deu amplo apoio à Greve da Educação - assim espera. Nós, educadores, cientes e ciosos do que significa nossa luta assim também exigimos!

Alex Saratt
32º núcleo/Taquara

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